segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Recesso


Ainda não era feriado,
Mas o descanso e permitido,
E se a chuva cai ao lado,
É valido ter muito, dormido.

Em uma ida que não volta,
Mesmo a quem vive em regresso,
Dia de emenda pra quem pode,
Dia do que chamam de recesso.

E o que passa é só o sono,
Ponteiros marcam o tempo,
E a espera já sem plano,
Segue seu ritmo lento,

Segunda tranquila que segue,
Sem sol e sem muito destino,
Sem ter missão que se pregue,
Apenas um dia sem desatino.

O mundo tem seus feriados,
A vida tem seus tropeços,
O sol tem seus dias nublados,
E tudo em seus endereços.

Recessivo domínio do descanso,
Seja dia ou noite seja,
Bravo e leve, forte ou manso,
Tudo que e bom se deseja.

Apenas mais um dia,
E um Poema por dia diverso,
Quem entende o que é poesia,
Quem em prova compreende o verso?

14/11/2016


domingo, 13 de novembro de 2016

Gotas


Pingos de um sentimento,
Pouca gente enfrenta a chuva,
Gotas de um só tormento,
Nem tudo cai como uma luva.

Dia parado e vazio,
Parado tudo e todos,
Cheios somente os rios,
Removendo até os lodos.

Palavras estranhas,
Silencio gritado,
Perdidas entranhas,
E um mundo entediado.

Chove lá fora e aqui,
Cada um faz o que tem,
Limpar, cuidar e ir,
Fugir de um eterno amem.

E o que será do que pinga,
Pinga as gotas da chuva,
Tem gente que molhado xinga,
Gente que brinca e Pula.

Gotejando cada sonho,
A vida passa tão rápido,
Nem tudo segue nos planos,
O destino as vezes é intrépido.

"Sing in the Rain" no agora,
Gotas de uma reflexão,
Segue a chuva aí afora,
E o tempo se esvai então.

13/11/2016



sábado, 12 de novembro de 2016

O Que É Digno


Se o trabalho é um peso,
Digno é o trabalhar,
Se Amar é um desejo,
Digno se faz o Amar.

Amanhã é só projeto,
Ontem já se passou,
Digno de ser concreto,
É o novo dia que raiou.

Dignifica o homem,
O ato de esforçar,
Matar com as mãos a fome,
Ânimo ao se levantar.

Viver leva isso como parte,
Acordar partir ir à luta,
Seja pensando ou por arte,
Trabalhar é força conjunta.

Olhar o amanhã e desejar,
Ter vontade de construir,
Um futuro a se invejar,
Digno é poder sorrir.

Digno é ter o que comer,
Fazer da fome só momento,
Tornar possível o querer,
Ter desejos sem tormento.

Digno é ser criação,
Celeste, de existir vontade,
Digno é acalmar o coração,
É dizer e ouvir a verdade.

12\11\2016



sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Quantas Faces

Quantos rostos e sonhos,
Quantos desejos e vontades,
Quantas loucuras e planos,
Deus, quanta falsidade.

Entre frias preces,
Ideologias roubadas,
Tudo aquilo que teces,
Pode ser tudo ou nada.

Tu que te achas injustiçado,
O que deseja? Seja sincero,
O que esconde seu passado,
Onde se perde seu esmero.

Meras palavras ao léu,
Insana história inexistente,
Se te achas digno do céu,
Por favor, mentiras não invente.

Sete estrofes em perfeição,
E só o necessário neste momento,
Pra acessar firme o coração,
Com a chave de um novo intento.

Invente novos rumos,
Usa palavras pra construir,
Põe em ordem seus prumos,
Refaz o que lhe faz sorrir.

Não crie mais olhares perdidos,
Gere com a vida seus enlaces,
Sinceridade faz brotar amigos,
Falsidade revela outras Faces.

11/11/2016


quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Quintas

Se estiver cinza,
A tempestade passa,
Voz tão linda desliza,
Em seu leve tom que abraça.

Quintas e suas macarronadas,
Cardápio de todo paladar,
Ao som de sexta, embaladas,
Murmúrios e formas de olhar.

A procura de quem se motiva,
Os dias estão pra todos, deseje,
Mas quem, da vida se esquiva,
Provável então, que só se queixe.

Quintas e seus medos,
Planos ainda incompletos,
Loucos e seus segredos,
Dúvidas sobre os corretos.

Não será sexta e seu brilho,
Apenas um passo antes,
Canção sem estribilho,
Relatórios e seus levantes.

Quintetos, quartetos e trios,
Soma se tudo com a vida,
Seus Calores e seus frios,
E essa gente tão entretida.

Nem vê que a semana se vai,
Deseja que venha a sexta,
Mas a quinta está no que esvai,
E quem não percebe é meio besta.


10/11/2016


quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Pensando Alto


Quem por ti não é,
Por si talvez seria,
Quem não tem fé,
Não crê em poesia,

Tempo e normas,
Limites dados ao ser,
Valores e formas,
Limitam a todo querer,

Quero-quero,
Quer só agora,
Fogo e ferro,
Nada informa.

Olhar solto,
Olho aberto,
Tudo morto,
Longe e perto.

Seca o verso,
Palavras caem,
Tudo disperso,
De folhas saem.

O pensamento,
Esse barco de partida,
Em seu julgamento,
Deixa a mente Perdida.

Pense logo, desista,
Descarte tudo que prende,
Corra pensando na pista,
Rumo ao bom que surpreende.

09/11/2016



terça-feira, 8 de novembro de 2016

Passaros


Canto solto no ambiente,
Sente o céu, sente o sorriso,
Canto puro a gente sente,
Cantam os pássaros paraíso.

Aos ninhos o segredo da vida,
No ar o doce desejo disperso,
Em tudo saudades, querida,
A vida não passa de um verso,

Canta o trinar em um voo,
Na voz da natureza absorta,
Liberta-se tudo que passou,
E tudo que lhe prejudica corta.

Pássaro que voa liberto,
Solto pela cidade e campina,
Não importa quão longe ou perto,
Sua voz chega em uma só doutrina,

Onde mora, só o céu sabe,
Tudo que tem são suas penas,
Pena que nem em tudo cabe,
As penas dadas a almas serenas.

Canto livre de uma águia, 
Ou de um mero sabiá,
Sempre é canto e se faz guia,
Passaredos a assoviar,

Em que voa o pensamento,
Quando preso aos passarinhos,
Tudo passa morre o momento,
Tudo vive em novos Ninhos.

08/11/2016




segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Valores


Quanto vale uma nota?
Preta nota, nota Preta,
Se o que bate na porta,
Negra lista, lista negra.

Quanto vale um sorriso?
A compra do supermercado?
Qual o valor do paraíso?
Que Eva estará a seu lado?

Quanto vale um beijo?
 Aquela ida aos bancos?
Quanto custa um bom queijo?
E a fome que levam aos trancos?

Quanto vale a nota rasgada?
A vida sofrida e surrada?
Quanto vale seu tudo e nada?
Que valor teria o fio da espada?

Qual o preço de uma noite?
E o custo de um sorriso?
Valor de uma dama na corte?
Amor eterno no paraíso.

Quanto vale um olhar, um toque?
O que será que se vê escondido?
Quanto vale a câmera o enfoque?
Qual o valor de narrar o acontecido?

O que é que vale a verdade?
Qual o custo do erro e do acerto?
Quem paga pela insanidade?
Qual o preço para diminuir o aperto?

07/11/2016




domingo, 6 de novembro de 2016

Por Aí Afora


Tenso é cada momento,
Uma coisa de cada vez,
Tudo ao mesmo tempo,
Torna nada tudo que se fez.

Tudo rápido não tem graça,
Tudo às pressas só dá medo,
Demorar demais já é pirraça,
Tenso seria guardar segredo.

Mas o que seria do futuro,
Se o agora fosse momento,
Medo de cada resposta,
Coragem fabricou cada invento.

Ei o que estás fazendo,
Muito e nada de uma vez,
Medo do que está acontecendo,
Medo do que já se desfez.

Isso passa então, resumo,
Se passa já é passageiro,
As palavras não têm prumo,
São apenas um mundo inteiro.

Pouco ou muito isso seria,
Depende do olhar do freguês,
Se despertar cada dia,
Meio mundo é mais que um mês.

Sem sentido o que seria,
Se o que tu sentes é só o Agora
Santo Deus, quanta agonia,
Se vê no mundo por aí afora.

06/11/2016



sábado, 5 de novembro de 2016

Aquele dia


Tanta coisa solta no ar,
E o verso solto na cabeça,
Vontade de procrastinar,
A vida, o dia ou sei lá, esqueça.

Dia de esfriar a mente,
Pensar sair dar uma volta,
Comer beber e de repente,
Voltar dormir fechar a porta.

Dias passam voam soltos,
Quando se vê já e novembro,
A vida corre todos envoltos,
Em seus problemas só correndo.

É sábado e domingo já vem,
Tanta gente se faz santa,
Preso no ato de dizer amém,
Outros sem mapa e nem planta.

Construindo algo que, nem sabe,
Horas felizes de quem sorri,
Hora perdida que nem cabe,
Num poema como esse aqui.

Aquele dia que se esquece,
Quem um verso faz lembrar,
Um poema por dia se tece,
Mesmo com pouco a falar.

Afinal viver é um jogo de palavras,
Onde os atos tomam sintonia,
O que seria de todas as vidas,
Se não existissem aqueles dias?

05/11/2016