quinta-feira, 26 de março de 2020

Hermanos del sul

Unidos por lutas distantes,
Cada qual com sua identidade,
Necessitados por instantes,
Compartilhando de possibilidade.

Fronteiras abertas pra negócios,
Espaço para troca de trabalho,
Mesmo com diferenças, sócios,
Dispostos a criar sempre o atalho.

Diferentes nas línguas e culturas,
Governos com sangue marcados,
Buscando soluções e suas curas,
Num mundo que os faz machucados.

Quantas vezes foram explorados,
Conquistados por mãos variadas,
Crimes Hediondos mais variados,
Tantas Crueldades então perdoadas.

Calos, cruzes, produção e partilhas,
Eis o rosto destes simples países,
Com suas perdas em meio a trilhas,
Dita duras  realidades em matrizes.

Mas que unindo se encontraram,
Uma solução para sobreviver,
Negociando o que trabalharam,
Em busca do comércio estender.

Bendita a união de suas bandeiras,
Entre cores perpassantes de um azul,
Onde se negociam boas maneiras,
Pra conduzir o chamado Mercosul.

26/03/2020





quarta-feira, 25 de março de 2020

Constituiu-se

Era um certo dia vinte e cinco,
De um certo ano, mês de março
Quando o Imperador com  afinco,
Assinou a lista de leis sem embaraço.

Era ano de mil e oitocentos,
E já se passavam vinte e quatro,
Depois de se constitui como o centro,
De uma independência feita em fato.

O que se entitulava o Imperador,
Reivindicou para si mais Direitos,
Fez para seus descendentes um andor,
E pediu a eles sua própria garantia.

Queria em suas mãos poder pleno,
Para gerenciar o seu novo mundo,
Dos escravos não abria mão, sereno,
Queria pra votar que tinha um fundo.

Acima do parlamento se colocava,
Exigindo para si alta reverencia,
Nem tanto da mulheres ele lembrava,
Nem os que escreveram com eminência.

Eis que hoje tal data do passado,
Ilustra a rua de enorme comércio,
Onde quase tudo pode ser encontrado,
De importadas tecnologias até  remédio.

E a leve desordem hoje lá espalhada,
Pouco lembra a ordem de uma carta magna,
Mesmo por que dá nome a uma avenida,
Mais democrática que uma lei que estagna.

25/03/2020



terça-feira, 24 de março de 2020

Uma Bactéria

A história até pode parecer,
Por vezes figurinha repetida,
A séculos uma praga fez morrer,
Muitos grandes nomes em vida.

Por um pequenino invisível,
Que nos pulmões se alojava,
E acometida de mal horrível,
Quem a este ser Hospedava,

Não era um vírus qual é
E sim do reino das bactérias,
A Peste Branca matava a fé,
E levava a muitos sem ferias.

Até que certos cientistas,
Identificará e tal bendita,
E foram reunindo pistas,
De como virar o disco ou fita.

Criaram as medicações certas, 
E colocaram em controle,
Uma doença das mais incertas,
Que exterminou a muita prole.

Mesmo até hoje ela persiste,
Mas pode ser com calma curada,
Mata ainda quem da cura desiste,
Mas já não assombra madrugadas,

Nem leva aos montes, o artista,
Como um mero mal de amargurados,
A Tuberculose hoje já e apenas vista,
Como um mal que aflige descuidados.

24/03/2020




Má DiGestão

O que está fazendo tanto mal, 
Qual a causa desta moléstia,
Tanto mal estar, já sem igual,
Quanta conversa está dispersa.

Parece até se espalhar alguma azia,
Caras de quem comeu e não gostou,
O prato servido, não era o do bom dia,
E muita gente neste prato é que votou.

Dói a barriga engolir certas palavras,
Mas todos já conheciam o tempero,
Picante pimenta até em suas folhas,
Papéis que se trocam, sem esmero.

Será que no fundo é uma virose,
Ou todos resolveram beber na globo,
Será que tal bebida causará cirrose,
Será exagero, a revolta de um povo.

Alimentando com carne indigesta,
A indignação de um discurso insano,
Na contramão do que o mundo manifesta,
Após o regurgito quem passará o pano?

Queiram os céus que haja um remédio,
Que cure e evite, de mais miséria chegar,
Afinal todo mal estar, revolta e tédio,
Não deveria, ao menos, em pizza acabar.

Pátria Amada de Amarelo e verde,
Confusa em meio a tanta confusão,
Não digere mais, por justiça, sua sede,
E ainda em frente segue "Má de Gestão".

24/03/2020