terça-feira, 11 de outubro de 2016

Não Tão Santa lá da Inha


Acorda que a corda,
O pescoço já aperta,
Levanta que a vida é... Moda
São Pinóquio da inverdade.

Por que tudo parece distante?
Santa Narcisa da vaidade,
Rogai pela luxuria gestante,
No ventre da humanidade.

Tanto nasce, Santa Sorte,
Tanta coisa Perdida,
São Longuinho, perca se a Morte,
Três pulinhos pela vida.

E o profano tão sagrado,
Ato de sonhar e querer mais,
Perde se no insano passado,
Santa Tosse, meu São Brás.

Doces Cosme e Damião,
Quem perdeu a Santa gula,
Alimenta se alma do Coração,
Já o Medo a Gente Pula.

Santa Insana, Falsidade,
Aonde vão tantas promessas,
O inverno é a mais fria idade,
Onde o Santo veste às pressas.

Nas preces de quem nem reza,
Oras bolas quem se importa,
Belezas nem põe na Mesa,
Á entrada da Não Santa Porta.

11/10/2016



domingo, 9 de outubro de 2016

Existência

Quando ao caule retornar,
Já seco pelo humano cansaço,
E as tóxicas ideias purificar,
A carne que não tem nervos de aço.

A mente figure as raízes,
Suporte seja aos sonhos perdidos,
Força se renove entre as Crises,
Do choro rebrotem os sorrisos.

Pensar logo existir,
Eis o eterno paradigma,
Onde está a razão do sorrir,
De que soma se fazem os Sigmas?

Existir é apenas sombra da alma?
Quem são nossas folhas e caule?
Somos fruto de que, nesta Calma?
O que nesta vida nos vale?

Este brilho da existência,
Será Apenas da Fé Sombra?
Viveremos por Clemência?
Ou juntaremos nossa sobra.

A Tudo que já passou,
De volta para o presente,
Plantar o que frutificou,
Tornar Frutos as sementes.

De volta ao que germinou,
Toda crença e toda fé,
Tudo retorna a o que o criou,
Tudo se soma ao que é.


09/10/2016




sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Era uma vez...


Era uma vez um Poeta,
Que nem verso sabia fazer,
Era mesmo coisa incerta,
Era uma vez sem saber.

Um conto mal contado,
Um sonho frio e solitário,
Era uma vez um pobre coitado,
Era uma Vez um louco Otário.

Era uma vez a Timidez,
Que se quebrou como semente,
E as mentiras, já eram uma vez,
Que brotou tudo que se sente.

Nem todo conto é tão rico,
A gente é que enriquece as rimas,
Quando deixa de ser tão crítico,
E bom sentimento manda acima.

Mesmo que não seja tudo,
Todo incompleto pode ser perfeito,
Até sem Palavras fala o Mudo,
Virar à Esquerda pode ser Direito.

Contrastes são para se enfrentar,
A vida é para se Viver Feliz,
Os desafios são para adornar,
O rosto do Tédio que não se quis.

E era uma vez esse Poema,
Que você Acaba de ler sem querer,
Mas pode até não ter gostado,
Importa é que fez ele viver...

07/10/2016



quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Esmolas


És faca de dois gumes,
Tu que já foste um deus,
Abençoando em seus cumes,
Hoje mata devotos seus.

Escondida em pífias moedas,
És para muitos, fétida escória,
Ópio das ricas nações cegas,
Dádiva da morte de toda história.

Tuas pontes ao nada levam,
Quando és o domínio do ser,
Te tornas esmola aos que choram,
E prazeroso senhor do desprazer.

Enlouqueces por tua presença,
E o poder de ti se alimenta,
De ti fazem a cura e a doença,
Garantes calmaria e Tormenta.

Cachaça, Sangue e Suor,
Na pobre e fria Noite,
És tú que Mostras o melhor,
Por ti muitos aceitam açoite.

Esmola de sonhos perdida,
Desejo que a aquece a alma,
Riqueza por tantos pedida,
Dinheiro ensandecido pela calma.

Tua chama revela a arte
Teu fogo recria os vícios,
Rimas pobres por toda parte,
Qual o Poder dos Patrícios.


06/10/2016