domingo, 16 de outubro de 2016

Quanta Gente

Flores sim, delas eu falei,
E nas ruas quanta gente,
Sem ver beleza eu sei,
Sem sorrisos, Ausente.

Eles riem, mas não amam,
Infelizes em seus mundos,
Solitários proclamam,
Em seus prantos profundos.

O vazio auto cultivado, 
Em suas almas vazias,
Com a solidão lado a lado,
Se perdem em planilhas. 

Calculando seus medos,
Somatizam o prejuízo, 
Guardado em seus segredos
Exibem falsos sorrisos.

Quem são eles então,
Por que tanta gente perdida,
Onde escondem o coração,
Por que tanta gente sofrida.

Multiplica por mil esse povo,
Que duvida até da sombra,
Mas que repete de novo,
Tanto erro que até assombra.

Quanta gente se achando sábio,
Só sabendo que nada sabe,
Palavras ditas só com o lábio
Quanta mentira ainda aí cabe?

16/10/2016

Base de Imagem: Operários de Tarsila do Amaral

sábado, 15 de outubro de 2016

Essência

Isto ou aquilo é Importante?
O que é para quem, Medo,
Quais livros desta estante?
Trazem da vida o segredo?

Duvidas e incertezas,
Recheiam os pensamentos,
Num doce bolo de Cruezas,
Douradas ao calor de momentos.

Qual a essência da vida?
Do que se faz a sabedoria,
Por que pra alguns é sofrida? 
A vida que devia ser Alegria.

Duas medidas de sonhos,
Três colheres de Desejos,
Extrato de Amor próprio,
Pitadas de Abraços e beijos.

Seria essa a Receita? 
Incerta Certeza do Ser,
Qual o segredo desta Ceita,
Quais os Gurus deste Crer?

E essa Sabedoria,
Pregada como tao exata,
Será prosa ou Poesia,
Sera Bondosa ou Ingrata?

Felicidade e o Essencial?
Seria tao difícil e distante Sorrir?
Tudo só existe Entre Bem e Mal?
Ou o essencial estaria ainda por Vir?


Base de Imagem: O Homem Vitruviano de Leonardo Da Vinci



sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Espera, Curta!


Curtas são as horas,
Dias curtos passam rápido,
A vida é feita de Agoras,
Pouca gente enxerga o prado.

Pelas praças pelos bares,
Tanta gente só vê a sexta,
Deixa a vida esquece os lares,
Sai até tonto meio besta.

Cada dia que se passa,
Esquece que o tempo vai,
"Chuta o balde", de pirraça,
"Pé na Jaca" e depois "Ai".

O que será do Manhã,
Festa é bom e quem não gosta?
Mas cada dia tem amanhã,
E nem tudo será só uma aposta.

Viver é um quebra cabeça,
As peças são os momentos,
Há quem, da vida se esqueça,
Depois só vê Sofrimento.

A seu tempo, cada coisa,
Cada passo à sua vez,
A vida é lição em lousa,
Do aprender, se é freguês.

O canto do pássaro é pausa,
Correr menos evita a multa,
A vida é efeito e não causa,
Pense, pare, espere e curta.

14/10/2016



quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Busca Incessante

Quantas vezes o corpo cansa,
E o olhar sai do foco da visão,
Perdidas palavras, a gente alcança,
Buscando algo que brote do coração.

Quantas vezes um abraço restaura,
E os sonhos rebrotam no aperto,
Quantas vezes sem brilho na Aura,
A gente nem caminha direito.

Deitado um sorriso bobo,
Faz a gente se lembrar,
Que a vida presta socorro,
Se a gente não desanimar.

O cansaço é apenas um momento,
Que com o tempo há de passar,
Passamos o olhar, silêncio,
É bom ter com quem contar.

Sorrir, sonhar e ter um amor,
Afinal somos feitos de sentimentos,
Que o cansaço desabroche em flor,
Faça valer os momentos.

Que a chuva rebrote a energia,
E o amanhã traga novidades,
A gente precisa dos bons dias,
Boas noites e das boas tardes.

Para ser sincero precisamos,
De tanta coisa nesse mundo,
Mas no fundo só buscamos,
Alegria e paz e amor profundo.

13/10/2016


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Rei Tempo

Império das Horas passadas,
Reinado dos minutos perdidos,
Teus súditos morrem com espadas,
Que os cortam com tempos perdidos.

Já não há mais o que passou,
O ontem gladiador já vencido,
Apenas lembrança deixou,
Império de um deus banido.

Aos prantos choram os olhos,
Que veem o amor em túmulos,
Semente perdida em outros solos,
Serão frutos de loucos acúmulos.

Rei e seus decretos mumificados,
Relíquias do que teve valor,
Hoje jaz com os enterrados,
O que até ontem era flor.

Secas pétalas em devaneio,
E o medo que seja o terror real.
Que fins justificam este meio,
Onde o Amor se torna banal?

Sete pétalas de uma rosa,
Magia do reino perdido,
Deixa o poema virar prosa,
Que este feitiço fique Unido.

Ao desejo de toda Criança,
Mesmo Adulta, rei tempo,
Nomeia cavaleira a Lembrança,
Repitam-se cada bom momento.


12/10/2016




E Se...


Bom dia Criançada nova,
E também, criançada adulta,
Hoje não é dia de prova,
Mas a gente sempre escuta.

Hoje não tem marmelada,
E se... O palhaço não sorrir,
Vai só rir a criançada,
Do dia que está por vir.

Hoje tem santo e tem arte,
Tem padroeira e tem herói,
Qual sua fé, o que imaginaste,
Vista suas ideias Cowboy.

A estorinha de reais brinquedos,
O conto de fadas, a Magia,
Criança que vencer seus medos,
É feliz com prosa e Poesia.

Teatro encenando o sorriso,
E se o amanhã não existisse,
A Gente riria de tudo isso,
A minha criança me disse.

Que a Alegria da vida é uma só
É Mãe, Pai, Tio e Tia, é viver,
É lembrar-se dos Doces de avô e Avó,
É primarada contente é a escola.

E se... Tudo não acontecesse,
O que seria de cada um no Após,
A criança em mim lhe saúda,
Com as vozes das crianças em Nós.

12/10/2016



terça-feira, 11 de outubro de 2016

Não Tão Santa lá da Inha


Acorda que a corda,
O pescoço já aperta,
Levanta que a vida é... Moda
São Pinóquio da inverdade.

Por que tudo parece distante?
Santa Narcisa da vaidade,
Rogai pela luxuria gestante,
No ventre da humanidade.

Tanto nasce, Santa Sorte,
Tanta coisa Perdida,
São Longuinho, perca se a Morte,
Três pulinhos pela vida.

E o profano tão sagrado,
Ato de sonhar e querer mais,
Perde se no insano passado,
Santa Tosse, meu São Brás.

Doces Cosme e Damião,
Quem perdeu a Santa gula,
Alimenta se alma do Coração,
Já o Medo a Gente Pula.

Santa Insana, Falsidade,
Aonde vão tantas promessas,
O inverno é a mais fria idade,
Onde o Santo veste às pressas.

Nas preces de quem nem reza,
Oras bolas quem se importa,
Belezas nem põe na Mesa,
Á entrada da Não Santa Porta.

11/10/2016



domingo, 9 de outubro de 2016

Existência

Quando ao caule retornar,
Já seco pelo humano cansaço,
E as tóxicas ideias purificar,
A carne que não tem nervos de aço.

A mente figure as raízes,
Suporte seja aos sonhos perdidos,
Força se renove entre as Crises,
Do choro rebrotem os sorrisos.

Pensar logo existir,
Eis o eterno paradigma,
Onde está a razão do sorrir,
De que soma se fazem os Sigmas?

Existir é apenas sombra da alma?
Quem são nossas folhas e caule?
Somos fruto de que, nesta Calma?
O que nesta vida nos vale?

Este brilho da existência,
Será Apenas da Fé Sombra?
Viveremos por Clemência?
Ou juntaremos nossa sobra.

A Tudo que já passou,
De volta para o presente,
Plantar o que frutificou,
Tornar Frutos as sementes.

De volta ao que germinou,
Toda crença e toda fé,
Tudo retorna a o que o criou,
Tudo se soma ao que é.


09/10/2016




sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Era uma vez...


Era uma vez um Poeta,
Que nem verso sabia fazer,
Era mesmo coisa incerta,
Era uma vez sem saber.

Um conto mal contado,
Um sonho frio e solitário,
Era uma vez um pobre coitado,
Era uma Vez um louco Otário.

Era uma vez a Timidez,
Que se quebrou como semente,
E as mentiras, já eram uma vez,
Que brotou tudo que se sente.

Nem todo conto é tão rico,
A gente é que enriquece as rimas,
Quando deixa de ser tão crítico,
E bom sentimento manda acima.

Mesmo que não seja tudo,
Todo incompleto pode ser perfeito,
Até sem Palavras fala o Mudo,
Virar à Esquerda pode ser Direito.

Contrastes são para se enfrentar,
A vida é para se Viver Feliz,
Os desafios são para adornar,
O rosto do Tédio que não se quis.

E era uma vez esse Poema,
Que você Acaba de ler sem querer,
Mas pode até não ter gostado,
Importa é que fez ele viver...

07/10/2016



quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Esmolas


És faca de dois gumes,
Tu que já foste um deus,
Abençoando em seus cumes,
Hoje mata devotos seus.

Escondida em pífias moedas,
És para muitos, fétida escória,
Ópio das ricas nações cegas,
Dádiva da morte de toda história.

Tuas pontes ao nada levam,
Quando és o domínio do ser,
Te tornas esmola aos que choram,
E prazeroso senhor do desprazer.

Enlouqueces por tua presença,
E o poder de ti se alimenta,
De ti fazem a cura e a doença,
Garantes calmaria e Tormenta.

Cachaça, Sangue e Suor,
Na pobre e fria Noite,
És tú que Mostras o melhor,
Por ti muitos aceitam açoite.

Esmola de sonhos perdida,
Desejo que a aquece a alma,
Riqueza por tantos pedida,
Dinheiro ensandecido pela calma.

Tua chama revela a arte
Teu fogo recria os vícios,
Rimas pobres por toda parte,
Qual o Poder dos Patrícios.


06/10/2016