quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Piscar

Não se fechem os olhos,
Sem sentir o abençoar,
Sem o maior dos sentidos,
Sem sentir o que é amar.

Se, se cerram as pálpebras,
Tantas vezes pelo dia,
Não se tornem, vistas cegas,
Os olhos de quem lê esta poesia.

Há em tudo magia bela,
Não é preciso ir tão distante,
Basta mirar os olhos na janela,
E fitar o que vê num instante.

Há casas, pessoas e parques,
Crianças, jovens e adultos,
Muitos soltos em seu viver,
Outros presos a seus Lutos.

Num piscar de seus olhos,
Podes despertar um amor,
À primeira vista, por outros,
Mas na essência, interior.

Tire a pressa de seu olhar,
Pois o correr é enlouquecido,
Só a calma pode alterar,
O que a pressa dá por perdido.

Deixa estar o que não muda,
Planta o que podes ver crescer,
Que ao piscar, o olho desnuda,
Os males que travam ao viver.


23/10/2014


sexta-feira, 17 de outubro de 2014

A Saber

Do Olimpo desceram raios,
Aos mortais, segredo dado,
Poder do conhecimento,
Aos humanos, revelado.

De egoísmo e desrespeito,
O conhecer bom por momentos,
Perdeu-se sem um conceito,
Por não obedecer a bons sentimentos.

Mas de uma luz desceram a terra,
Inspiração e sabedoria,
Em um universo de guerra,
Pessoas buscam novo dia.

Sábios ensinam crianças,
Jovem aprende e adolescente,
Reconstroem boas lembranças,
E são chamados de docentes.

Professores enviados,
Do poder da sabedoria,
Contra a ignorância, soldados,
E aos ouvidos atentos, poesia.

Que de seus trabalhos brotem,
Sementes do amanhã,
Que os homens se importem,
Em ter a consciência sã.

Para que não se percam as esperanças,
Que se renovem boas condutas,
Em seu dia gratas lembranças,
Professores, obrigado por suas lutas.




17/10/2014


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Egocentria

Lutar e conquistar,
Eis a programação,
Mas como encaixar,
Os códigos do Coração.
Neste meio egoísta,
Demonstrar compaixão,
Gera um código suicida,
Que resulta em falha então.

Saia do meio,
Ha um meio pra tudo,
No meio, sem receio,
Há mais seres neste mundo.

E no meio do nada,
Vê se o ser ficar perdido,
História condicionada,
Para o mal ser mais querido.
Tudo tão manipulado,
Maquiavel a quaisquer custos,
Importa o conquistado,
Danem se os meios sujos.


Aqui se faz aqui se paga,
Tudo tem conseqüência,
Inocente, sabe nada,
O futuro leva pendência.
Não há centro no mundo,
Tudo tem sua ligação,
E Egoísmo profundo,
É código de Punição.

Há muito mais nesse mundo,
No meio sem receio,
Sempre há meios para tudo,
Se sair para buscar meios...



13/10/2014


terça-feira, 7 de outubro de 2014

Em Decisão

Às vezes indeciso,
Só as vezes, quase sempre,
Era um grito não coeso,
Um sussurro, de repente.

Memória fraca,
Luzes piscam com frequência,
Mas o que emplaca,
É o medo e a desistência.

Grita a alma,
Cala-te a boca,
Fala com Calma,
Que a paciência é pouca.

Medo...
Tic tac, se vão os segundos,
Segredo,
Desejos tão profundos.

Quem dera a indecisão,
Não tomasse tanto tempo,
Quem dera o coração,
Não ter tanto sentimento.

Mas pergunta me, a mente,
Para desespero da razão,
Se fosse eu tão diferente,
Seria eu, acaso eu então?

Mudança só acontece,
Ponha isto em sua cabeça,
Quando a mente se convence,

Que é preciso que se cresça.

07/10/2014



sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Em partes

Juntou os seus pedaços,
Do último tiroteio de palavras,
Seus nervos são cordas de aços,
Mas não sobrou quase nada.

Refez os rumos, buscou um tema,
Calado como o mundo e o passado,
Viver ou estar vivo, eis o dilema,
Engana se quem pensa, que está calado.

Em partes, soltas pelo ar,
O tempo não para de seguir,
E quem não quiser sonhar,
Não lhe peça para não sorrir.

Em partes cada coisa a seu tempo.
O ontem já se foi, tentou presente estar,
Revendo os dias e cada momento,
Pra não deixar de andar, caminhar.

Cada parte se refez de cinzas,
Num ato de brilho, momentos,
Todo vento parte de brisas,
Viver não deve se fazer de tormentos.

Em partes, o amanhã renasce,
Com cada nascer do sol,
E quando zerar esta fase,
Haverá um Bônus maior.

Em frente, sem marchas de prisão,
Que seja o pensamento solto,
Que seja sem limites o coração,

E que reviva, cada bom sonho já morto.

03/10/2014



terça-feira, 30 de setembro de 2014

Por um fio

Por um fio, a vida passa,
E pela tela sem cortina,
O teatro, o som, a praça,
Quase nem mais se ilumina.

Já não vejo,
Nesse vazio,
Abraço e beijo,
Em texto sem fio.

Por um fio,
De fones de ouvidos,
Passa o frio,
E sonhos perdidos.

Por um fio os sentimentos,
Triste, alegre, amor musical,
Tanto faz, não há momentos,
Nem sei se estás bem ou mal.

Já não te ouço,
Nestes tormentos,
Num calabouço,
De desatentos.

Por um fio,
De fones de ouvidos,
Passa o frio,
E sonhos perdidos.

E por um fio eu sinto o futuro,
Me toca o medo deste tema,
Por um fio esquecer de tudo,
No meu fone assisto ao cinema.

Falar sozinho,
Para uma multidão,
Sentir vazio,
Em Meio a um milhão.


Por um fio,
De fones de ouvidos,
Passa o frio,
E sonhos perdidos.


30/09/2014



segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Quimera das flores

Este monstro colorido,
Fantasia de misturas,
Machucando os olhos e ouvido,
De quem alegria não atura,

Dos pessimistas o terror,
O rebrotar escondido,
Que o concreto sem amor,
Até pensava ter morrido.

De repente como magia,
Rebrota de parques e praças,
Como verso em harmonia,
Invade as ruas e casas.

Uma lenda de verdade,
Embora alguns não a vejam,
Primavera há nas cidades,
Aos que os verdes desejam.

Nos prédios brotam girassóis,
Em vasos azaleias, violetas,
Pelas janelas florindo, Kalanchoes,
Atraindo pássaros e borboletas.

A doçura da estação,
Atrai até as abelhas,
Sol aquece o coração,
Com a vida, flores centelhas.

E se faltar colorido,
Ou acha ainda, ser Quimera,
Abra os olhos e os ouvidos,
E ouça a voz da Mãe Terra.

22/09/2014


quinta-feira, 18 de setembro de 2014

De Marte

Levanta os olhos,
Vermelhos do sono, cansaço,
Junta os espólios,
Nervos que não são de aço.

Ou seriam talvez?
Nem sei, nada sei,
Muito tudo, outra vez,
Sem Coroa, ser, meu rei.

Meu decreto mais severo,
Siga! A mente viaja,
Amanhã vai ser melhor espero,
Nem quero preta tarja.

A realidade assusta,
Mas serei eu, mais forte,
Tenho a luz, nessa luta,
Na terra, guerreiro de Marte.

Não marque, serei apenas fatos,
Só sei, que nada sei,
Meu nada, meu tudo em barcos,
Navego entre egos e aprenderei.

Pobre é o que acha ter tudo,
Eu coleciono cometas.
Às vezes tímido e mudo,
A mente ouve as trombetas.

Tropeço e a queda faz parte,
O todo é feito de Instante,
Prazer, Guerreiro de Marte,
Amigos me chamam pelo nome.


18/09/2014


domingo, 14 de setembro de 2014

Um Sarau no Parque

Será que sara essa ferida,
Sarau de dores em palavras,
Serão loucuras as vidas?
Tão secas estas frases molhadas.

Em quem sentiu, quem sofreu,
Em que rumo isso vai dar,
Quem são eles, quem sou eu,
Que ar é esse a respirar.

Essa tal de inspiração,
Esse resfriado da mente,
Esse espirro do coração,
Esse louco grito indecente.

A poesia não tem status,
Ela ataca a quem pensa,
Vai das metrópoles aos matos,
Vem das esquinas à imprensa.

Poetas são todos loucos,
Românticos de amor por si,
Presos a muito e a poucos,
Amantes de lá, de cá e de aqui.

Sara então essa ferida,
A cicatriz não se apaga.
Mata o medo, viva a Vida,
Deixa essa mão que afaga.

Que passa, que fica, que vai,
E tanto humor, tão genial,
Deixa sair esta voz que é de Pai,
Passar, inspirar, filhos do Sarau.

14/09/2014


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Inerente

Independente do que desejas,
E não se adere a herança, 
Não é coisa que Almejas, 
Tampouco traz boa lembrança. 

De louco e de poeta 
Todo o ser terá um pouco 
Entre dois pontos a reta, 
Do pensamento mais louco. 

Loucura sera ver perfeição,
Onde habita humano ser, 
Foge a compreensão. 

Capaz, és tu de querer, de Fazer 
Insatisfeitos, ver não sabemos,
Tudo a volta gera possibilidade, 
Mas a realidade distorcemos, 

Querendo criar perfeita irrealidade. 

"Ser ou não ser..." 
Louca questão, 
Quem responder. 
Tomará a decisão. 

Expulso do Paraíso,
Do suor farás teu sustento, 
A loucura é teu sorriso, 
Buscarás perfeito alento. 

Ciente do bem e do mal,
Por querer se igualar a um Deus 
Tens nas mãos poder igual, 
Pra construir o Futuro ao seus.

03/09/2014